Mula sem cabeça
“É noite de quinta para sexta-feira. Um viajante assustado se apressa para chegar ao seu destino. Ele sabe que é noite da Mula sem cabeça, bicho amaldiçoado, que ataca a tudo e a todos.
Diz a lenda que as Mulas sem cabeça são mulheres que namoram com padres católicos, nas cidades do interior do Brasil e como castigo, recebem esta terrível sina. A mula, que corre sete cidades quando se transforma, ataca sem piedade tudo o que vê pela frente. Ao final da corrida, já é de madrugada, cansada e toda ferida, ela volta a ter a sua antiga forma: de mulher. (…)”
Esta história está no livro Lendas e Mitos do Folclore Brasileiro, São Paulo, 1991.
É um mito que já existia no Brasil colônia. Apesar de ser comum em todo Brasil, variando um pouco entre as regiões, é um mito muito forte entre Goiás e Mato Grosso. Mesmo assim não é exclusivo do Brasil, existindo versões muito semelhantes em alguns países que falam espanhol.
Conforme a região, a forma de quebrar o encanto da Mula, pode variar. Há casos onde para evitar que sua amante pegue a maldição, o padre deve excomungá-la antes de celebrar a missa. Também, basta um leve ferimento feito com alfinete ou outro objeto, o importante é que saia sangue, para que o encanto se quebre. Assim, a Mula se transforma outra vez em mulher e aparece completamente nua. Em Santa Catarina, para saber se uma mulher é amante do Padre, lança-se ao fogo um ovo enrolado em fita com o nome dela, e se o ovo cozer e a fita não queimar, ela é.



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